O livro Corpo sem cabeça: o tipográfo-editor e a Petalógica, do professor de Comunicação da UFMG Bruno Guimarães Martins, faz uma análise aguda e importante do momento de inauguração de um espaço letrado no Brasil Império, a partir da trajetória do editor pioneiro Francisco de Paula Brito (1809-1861).

É um fato reconhecido que a tecnologia do impresso se instala tarde no Brasil. Relaciona-se frequentemente esta chegada tardia da imprensa ao atraso do letramento que adentrara o século XXI mantendo altos índices de analfabetismo que ainda continuam a caracterizar o país. Poucos conhecem a fascinante história de Francisco de Paula Brito (1809-1861), editor pioneiro do Brasil Império, que além de livros e jornais como A Mulher do Simplício (1832) e A Marmota na Corte (1849) semeou uma cultura letrada no cotidiano oitocentista através de uma intensa produção de anúncios, folhas, santinhos, estampas, embalagens, jogos, que inauguraram se não uma esfera pública, certamente um ambiente de impressos propício à circulação de frases e textos com a desenvoltura da comunicação oral.

A Livraria de Paula Brito foi o berço da polêmica Sociedade Petalógica que sob o mote “contrariar os mentirosos, mentindo-lhes” semeou um debate público cético e jocoso de inédita liberdade. Nas sessões da Petalógica, personalidades que constituíam a elite intelectual e política da época, do Barão do Rio Branco ao jovem Machado de Assis, encontrava-se com uma massa de anônimos e populares não registrados pela história. Neste sentido Bruno Martins destaca Paula Brito não só como um editor autônomo de impressos, mas como editor da voz ao observar esta curiosa sociedade que praticava uma espécie de performance ficcional. Para trazer ao leitor contemporâneo este ambiente cômico e literário da Sociedade Petalógica apresenta-se no livro transcrições de suas reuniões e fragmentos, além de um rico acervo iconográfico de impressos e imagens da época. A partir de uma perspectiva de história material da mídia, Corpo sem Cabeça faz uma análise da intersecção entre o sistema oral fortemente consolidado e as possibilidades de uma nova dinâmica gráfica que, alavancada pelo avanço da tipografia, demarcam o lugar e a particularidade do literário na instalação e no desenvolvimento da imprensa no Brasil.

O livro tem apresentação de Karl Erik Shøllhammer, prefácio de Emílio Maciel e posfácio de Ana Utsch.

Corpo sem cabeça será lançado no dia 09 de junho, às 13 horas, na Livraria Folha Seca, no Rio de Janeiro e dia 16 de junho, às 11 horas, em Belo Horizonte, na Quixote Livraria e Café.

 

 

Corpo sem cabeça: o tipógrafo-editor e a Petalógica

Bruno Guimarães Martins

Editora UFMG

Área: História

Coleção: Origem

2018. 429p. ISBN: 978-85-423-0241-7

Dimensões: 20,0 x 2,0 x 14

Preço: R$54,00


Lançamentos:

 

9 de junho de 2018, 13 horas, Livraria Folha Seca.

Rua do Ouvidor, 37, Centro – Rio de Janeiro

 

16 de junho de 2018, 11 horas, Quixote Livraria e Café

Rua Fernandes Tourinho, 272, Savassi - Belo Horizonte-MG

Editora da Universidade Federal de Minas Gerais

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